A força do ecossistema
Cada vez mais as fabricantes vão impondo seu ecossistema
Hoje a BambuLab anunciou o programa de compra de créditos com dinheiro para uso das ferramentas de IA de seu site. São as mais poderosas ferramentas no meio de impressão 3D, e alguém da BambuLab deve ter notado que os usuários de outras marcas também estão usando suas ferramentas, e como todos sabem, a IA é cara.
A plataforma ainda mantém o compromisso de poder converter as moedas amarelas por moedas azuis, mas o preço por elas subiu! Para obter as moedas amarelas, você precisa ou compartilhar os resultados de uma impressão feita de um arquivo do Makerworld, com foto e/ou com comentários, subir arquivos no MakerWorld, receber Boosts de downloads feitos pelos usuários ou atender às formações online disponíveis no app para dispositivos móveis, o BambuHandy, na forma do Learning Academy. Ou você paga 3 dólares e compra muitos créditos!
Cada vez mais devemos ver os ecossistemas das empresas se fechando, para manter seus usuários mais imersos e mais “fiéis” à marca que utilizam. A estratégia da Bambulab é semelhante à da Apple, ter um ecossistema simples e fechado. A Creality adota uma estratégia mais Samsung, usa uma plataforma aberta customizada à suas necessidades, mas mantém um portfólio mais amplo de produtos, sendo que a Creality tem impressoras de resina líquida, a SLA, tem cortadoras e gravadoras à Laser de diversos tamanhos e formas, tem purificadores de ar para diversas aplicações, tem trituradoras e fabricantes de filamentos com as sobras de outras impressões. A estratégia é chamada de “one stop-shop”, a loja de uma única parada e já compra tudo que você precisa.
Outras marcas dão sinais de caminharem para algo no meio entre as duas líderes do seguimento. A FlashForge e a Elegoo já possuem suas próprias variações do Cura, por exemplo, em paralelo à fatiadores próprios.
Medo do platô
Nunca se vendeu tanta impressora 3D neste país como neste ano. Todos os meses deste ano até aqui foram os melhores meses da história de todos os fabricantes. Mas já tivemos surtos como esses antes, muito menores em escala, mas existiram, como neste vídeo do NerdOffice de 13 anos atrás: (seguimento 3d começa aos 8 minutos e 30 segundos).
Neste fim de semana mesmo alguns alunos me procuraram para perguntar se eles não estão entrando nesse mercado “tarde”. Essa parte é simples de responder: ainda não é tarde. Por comparação com a Argentina, que tem 44 milhões de habitantes, e consomem 120 toneladas de filamentos por mês, o Brasil com 5 vezes mais habitantes, ainda consome só o dobro. Então há espaço para crescer. Mas em algum momento, esta estabilidade pode chegar. Vimos isso acontecer com os Tablets, que foram de vedetes do meio tecnológico à lenta queda de vendas, para se tornarem um acessório de nicho, ler livros, desenhar e acesso à internet para consumo de conteúdo, mais que geração de novos conteúdos. (vídeo de declíneo das vendas dos tablets de 2 anos atrás).
Tá, mas e quando acontecer o platô das vendas?
Quando acontecer, haverá sinais: aumento de máquinas usadas nos marketplaces, queda nas vendas de consumíveis, como ocorreu em todos os seguimentos que já tiveram áuge e queda. E ainda que esse platô nas impressoras 3D esteja distante, em “dog years”, falando de 2 a 3 anos ao menos, as empresas sabem que haverá um darwinismo entre os proprietários de impressoras 3D: os que tiverem achado produtos próprios, ficarão. Os que encontrarem usos para materiais menos usuais, resolverem problemas reais do dia a dia, ficarão. Como em todos os seguimentos do mercado.
E como todos os seguimentos, o platô não significaria o fim do seguimento. Apenas que as vendas darão uma estacionada, mas que o produto foi adotado em larga escala, e que terá um parque consumidor amplo, maior que atual, certamente. Lembre-se que há 10 anos a 3D Prime surgiu para vender impressoras e filamentos para um mercado que vendia o que? Talvez 500 kg em um mês bom lá no início? O mesmo vale para outras pioneiras como a 3DLab, com 12 anos, ou a 3DX, que também nasceram para atender um mercado que ainda era embrionários.
O que estamos vendo são as fabricantes internacionais tentando se prevenir para quando esse platô ocorra. Quando menos máquinas forem vendidas, que o consumo de insumos, elas querem garantir que o consumidor já esteja “fidelizado”, pela praticidade e conveniência de fazer tudo com uma marca, por controlar tudo por um mesmo App, ou por que seria caro demais migrar tudo que foi criado em uma plataforma para outra.
Para este ano, vamos discutir sobre o futuro da impressão 3D, com os fabricantes, no evento paralelo à Expo3DBR de 21, 22 e 23 de agosto, na faculdade Mauá em São Caetano do Sul. Lá, além da feira que ocorrerá nas quadra poliesportiva da faculdade, no bloco H, dentro do anfieteatro, teremos o Congresso que mais uma vez discutirá qual será o futuro deste mercado, e se você quiser saber mais sobre este futuro, venha prestigiar este evento que terá nomes como Victor Pruner da Creality Brasil, Diego Gross da Bambulab, Mario Carneiro, CEO da Materialisa, distribuidor da Intamsys no Brasil, Janaína Dernowsek da BioEdTech/Quantis, Bruno Oliveira e Thiago Medeiros, respectivamente, especialistas pela 3DCriar e pela Lehvoss em materiais para impressão 3D, entre outros grandes nomes!
Então não perca mais tempo e venha participar desta discussão com a gente:
https://www.expo3dbr.com.br/#ingressos



